A “Dragonbolização” do Mundo: Como tudo hoje parece que precisa ser MAIOR e MELHOR
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A “Dragonbolização” do Mundo: Como tudo hoje parece que precisa ser MAIOR e MELHOR

Como o clássico anime de 1984 de AKira Toriyama pode traçar um paralelo com o mundo atual que não sabe parar para respirar e prega essa cultura da performance nos negócios sem se importar com o dia de amanha.

June 11, 2026

O ano era 1984 e Son Goku travava as primeiras batalhas, vencia seus primeiros vilões e se tornava um ícone da cultura japonesa. Na época, o menino com cauda de macaco enfrentava uma corporação maligna que queria dominar o mundo através da obtenção das 07 esferas do dragão. 


40 anos depois, Goku já está adulto e lutou contra vilões que queriam dominar o mundo novamente, que queriam dominar a galáxia, que queriam dominar o mundo dos mortos, que queriam dominar o universo e, mais recentemente, até quem quisesse dominar o multiverso.


São quatro décadas de vilões cada vez mais poderosos, com ambições cada vez maiores e os heróis acompanhando esse ritmo de se tornarem mais fortes, mais presentes através dos universos e mais atuantes. 


Corta para o mundo de hoje, parece que estamos seguindo o mesmo caminho de “dragonbolizar” tudo ao nosso redor: 


  • O conteúdo nas redes sociais precisa viralizar; 

  • Precisa postar 5 - 7 vezes por semana; 

  • A arte precisa ser feita em questão de minutos, tudo bem se for feita por IA;

  • Para cada serviço precisamos de uma Landing Page;

  • Para tratar todos os leads precisamos de CRM, agentes de IA e closers; 

  • Para as campanhas precisamos criar mais de 10 artes simultâneas; 

  • Investir mais e mais; 

  • A construção da marca precisa prever uma possível expansão global;

  • A produção de conteúdos precisa ser grande para chamar atenção das pessoas; 

  • E muitos outros exemplos…


Tudo, no final das contas, parece estar alcançando um tamanho que na prática, não garante resultados nem está adaptado ao tamanho de fato dos negócios que, muitas vezes criam essa complexidade toda sem uma base forte para sustentá-la.


Impulsionadas, principalmente, pelo movimento das IAs, as empresas não parecem manter uma estratégia sólida que pensa no curto, médio e longo prazo. Trocando o planejamento estratégico pela simples “presença”.


Hoje o artigo é uma reflexão sobre quando, na verdade, desacelerar.


Quando a arte e os dados se encontram


Boa parte dessa “dragonbolização” pode ser atribuído a três fatores: 


  1. Companhias cada vez mais “data-driven”;

  2. Rentabilização cada vez mais complexa nos canais digitais e;

  3. Estratégias que olham mais para resultados diretos e menos para

ganhos de marca.


Se de um lado, depender 100% da estratégia nos dados pode de fato mostrar novos caminhos e trazer os resultados que a empresa está buscando, por outro lado, eles escondem características qualitativas que levam as pessoas às suas decisões de compra, que fazem elas escolherem sua marca no lugar dos concorrentes e outros aspectos. 


Quando olhamos para ferramentas como Youtube e TikTok, os algoritmos dessas plataformas tem dificultado cada vez mais a rentabilização de canais e, o que antes era um terreno fértil com possibilidades para a construção de uma base financeira sólida, hoje se torna um desafio para atrair a atenção de cada vez mais usuários e possíveis patrocinadores. 


Por fim e como consequência, as marcas hoje em dia tem olhado cada vez mais para o resultado a curto prazo. A quantidade de Leads gerada, as vendas no final do mês, o ROAS (Return on Ad Spend) e outras métricas que podem até garantir o caixa da empresa, mas não necessariamente a saúde do negócio.


O resultado disso tudo é um mundo que parece a mesma coisa onde quer que você olhe. As mesmas artes, mudando apenas o visual da marca, sites lotados de agentes de IA para atendimento, o mesmo conteúdo nas redes sociais com diferentes influenciadores, as mesmas mensagens, os mesmos gatilhos (esse será assunto de um outro texto) e uma infinidade de monotonia que, no final, estão cada vez maiores, mais presentes, em mais pontos de contato.


Construção de marca leva tempo e investimentos que nem sempre retornam


Na contramão desses excessos que os negócios tem cometido hoje em dia, há a construção de uma marca que precisa se estabelecer, conquistar uma audiência cativa, encontrar um nicho, estar presente na vida do público-alvo e saber posicionar o marketing da maneira correta, nos canais certos. E isso leva muito tempo, criatividade, estratégia e, também, dados. 


Neste momento, não dá para delegar a uma IA o trabalho que você como gestor de uma marca precisa fazer. É preciso conhecer, levantar hipóteses e desenvolver algo que fará com que sua marca ganhe destaque, porque, afinal de contas, se todos estão fazendo exatamente a mesma coisa, o que garante que sua marca terá destaque no meio desse marasmo?

E é justamente neste ponto que precisamos pensar com calma, criar algo (que pode até ter auxílio da IA) que se conecte com poucas pessoas que consumiram o que você faz, desenvolver um fluxo que atenda a sua demanda atual e pensar em uma estratégia que consiga escalar sua operação.


Construção de marca leva tempo, você vai errar, pessoas não vão gostar e você precisará se adaptar. E neste momento, é muito mais fácil mexer em uma estrutura mais enxuta do que em algo que está extremamente complexo. 


Conclusão: Na era onde não se aceita o erro, tudo parece quebrado.


Hoje em dia, parece que não se admite erros, não se admite que um negócio não produza conteúdos, não faça vídeos pessoais, não tenha um CRM de gestão, não utilize IA no seu dia a dia e não tenha um agente de IA que garanta sua “eficiência”.


A verdade é que essa “fórmula” (se é que podemos chamar assim), tem causado uma miopia no Marketing e em outras áreas que evitam com que os negócios tragam realmente aquilo que os torna únicos: Criatividade e Risco. 


Criar algo é difícil, desenvolver um negócio mais ainda e tudo isso envolve riscos desconhecidos, investimentos que não se pagam e tempo que não volta. É melhor nos propormos a fazer algo que seja flexível e que não seja igual a todos os outros.


Não é preciso querer conquistar o mundo, a galáxia ou o universo. No mundo da “dragonbolização”, ouse ser o herói da vizinhança!

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